Empreendedorismo

Comunicação e Mídias Digitais para Empreendedorismo

O grande objetivo de todo empreendedor é ser notado, e isso é fato inegável. Não basta apenas a coragem de romper os limites do comodismo para enfrentar uma nova jornada profissional, arriscando-se a empreender. É preciso que todo esse esforço, que toda essa ousadia, sejam vistos e ganhem notoriedade perante o público.

O empreendedor será compreendido aqui como todo profissional ativo que busca algo novo em sua carreira, seja investindo no próprio negócio ou no tão sonhado “emprego melhor”. Investir em conhecimento técnico, idiomas, cursos, especializações, novas habilidades e tantas outras virtudes é, sem dúvidas, o caminho mais indicado. Entretanto, precisamos concordar que de nada adianta ser o melhor profissional do mercado, se o mercado não souber disso. A notoriedade deve ser construída, assim como o conhecimento adquirido ao longo dos anos de experiência. Se você tem muitas qualidades, então você tem muitos motivos para mostrar isso ao mercado e, para que essa exposição aconteça, é preciso investir em algo que talvez ainda não tenha pensado: Comunicação! Sim, é preciso ser um bom comunicador da sua própria carreira. Muitos autores utilizam o termo “Marketing Pessoal”, mas, particularmente, prefiro dizer que precisamos ser bons em Comunicação Pessoal. O termo “Marketing” evoca uma essência comercial mais “agressiva”, focado na criação de necessidades orientadas à venda, enquanto a Comunicação se refere ao processo inerente de ser compreendido. É preciso elucidar bem o conceito de comunicação. Todo processo comunicativo necessariamente pressupõe que haja uma via de mão dupla na troca de informações, em que emissor e receptor sejam compreendidos e sinalizem tal entendimento. Muitas pessoas se dizem “comunicativas” pelo fato de falarem muito. No entanto, uma pessoa que fala muito, sem deixar que o receptor também diga e troque informações é, na verdade, uma boa emissora de informações, e não necessariamente alguém que se comunica bem. Comunicação requer diálogo, partilha, aprendizado e entendimento.

Para que a comunicação seja eficaz precisamos considerar outros dois fatores essenciais: O meio e a mensagem. A escolha correta do meio para se propagar uma mensagem é tão importante quanto a mensagem em si. E aqui se estabelece um grande desafio da contemporaneidade: Ser notado em meio à quantidade estratosférica de meios e mensagens a que somos submetidos todos os dias.

Com o advento das redes sociais, iniciamos uma nova forma de nos relacionarmos com a informação. Se antes era preciso esperar o início do Jornal Nacional para que Fátima Bernardes e William Bonner nos “contassem” as notícias do dia, hoje somos bombardeados por milhares de informações oficiais e não oficiais que chegam até nós, sem que precisemos de esforço algum.

Essa nova dinâmica nos torna mais seletivos, e, dessa forma, passamos a notar apenas aquilo que, de fato, nos chama a atenção. Apresentar suas qualidades, ou mesmo o seu empreendimento, ao mercado requer muito esforço comunicacional para que você não se torne “mais um” no meio da multidão.

As novas mídias nos apresentam um universo de possibilidades até então desconhecidas. Qualquer usuário pode, a partir de suas contas nas redes sociais, noticiar acontecimentos de forma instantânea por meio de um post, foto ou vídeo compartilhado com milhares de pessoas. A lista de sites para se conectar e “aparecer” na rede é grande, porém é preciso lidar com tudo isso de forma coerente.

Para essa nossa reflexão, vou considerar dois gigantes do meio digital: Facebook e LinkedIn. A discussão acerca dessas duas ferramentas é grande e muito se diz sobre a usabilidade de uma em detrimento da outra. O que podemos questionar é a forma como temos utilizado cada uma delas. Ao perguntar para as pessoas sobre o que elas fazem no LinkedIn, a resposta está sempre na ponta da língua: “Networking”! Mas, na prática, o que temos feito para criar relacionamento na rede? Se a sua conta do LinkedIn é utilizada apenas para manter o seu curriculo atualizado e para você compartilhar post’s como: “Ser líder não é ser chefe”, me desculpe: Mas você não está fazendo “networking”.

Contatos precisam ser cultivados e relacionamentos estratégicos se constroem com diálogo. Já pensou em utilizar o recurso de mensagem do LinkedIn para conversar com as pessoas? Somos especialistas em relacionamento no Facebook (conseguimos gerenciar várias conversas ao mesmo tempo no messenger e criamos contatos para uma vida toda), porém quando estamos no LinkedIn ficamos congelados no excesso de formalidade profissional. Como se no mercado de trabalho fosse imperdoável conversar ou dizer coisas comuns do dia-a-dia. Que tal partilhar com os colegas as conquistas (e também as dificuldades) de um projeto ousado que esteja fazendo? Por que não chamar alguém que você admira para conversar e pedir recomendações sobre cursos e especializações? Ou seja, que tal agir naturalmente no mercado? Gente gosta de gente, e não de robôs.

Um erro crasso do comportamento digital é construirmos no LinkedIn um personagem perfeito, que o nosso próprio Facebook denuncia e revela os avessos. É preciso coerência para se comunicar, de modo a construir credibilidade a nossa própria marca. Pode parecer estranho, mas precisamos compreender que todo profissional tem uma marca a zelar. Quando vamos ao supermercado, não é apenas o menor preço que decide uma compra, mas também a marca daquele produto. Sempre nos preocupamos em garantir que o produto seja assim uma “brastemp”. É dessa forma que somos vistos pelo mercado e, cada vez mais, as empresas se preocupam com a reputação dos profissionais, pois desejam contratar pessoas que tenham credibilidade e sejam lembradas por suas virtudes, e é justamente neste ponto que podemos colocar tudo à perder se não estivermos atentos às nossas comunicações no Facebook. Este não é um discurso moralista e, obviamente, todos têm direito de postar aquilo que desejam, porém, isso precisa representar, de fato, quem somos.

Com certeza tem muito de você que o mercado ainda precisa conhecer, e, para isso, é preciso se movimentar no sentido da comunicação, permitir que as empresas, as pessoas, os clientes te conheçam e saibam aquilo que você tem a oferecer. Apenas tome cuidado com uma coisa: Não se torne um “chato”. Fazer propaganda de si mesmo é sempre algo suspeito, pois obviamente você sempre dirá coisas boas ao seu respeito. Invista em relacionamentos que possam te ajudar a ser lembrado, escolha as pessoas certas e que tenham algo a dizer sobre você para, por exemplo, solicitar que elas lhe escrevam uma recomendação no LinkedIn. Lembre-se: Os maiores desafios e dificuldades profissionais referem-se sempre à capacidade de se comunicar. Não basta sermos “experts” no conhecimento técnico, se não soubermos nos relacionar com a técnica e com as pessoas.

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Marcelo Bosso

Pós-graduado em Mídias Digitais, Graduado em Comunicação Social - Relações Públicas pela DeVry | Metrocamp. Sólido conhecimento nas áreas de comunicação corporativa, assessoria de imprensa, eventos, social media e treinamentos, com experiência em organização do terceiro setor, multinacional e empresa de tecnologia.

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